A retina é uma camada delicada localizada no fundo do olho. Ela funciona como uma “tela” que capta as imagens e envia as informações para o cérebro. Quando doenças como retinopatia diabética, edema macular, alterações vasculares ou rupturas periféricas aparecem, o tratamento precisa ser preciso, seguro e planejado caso a caso.
Nesse cenário, o laser Topcon Multispot PASCAL representa uma evolução importante no tratamento a laser da retina. Diferente dos lasers convencionais, ele permite aplicar múltiplos pontos de laser em padrões programados, com grande precisão e em menor tempo de procedimento. A tecnologia PASCAL utiliza pulsos curtos, o que pode reduzir a dispersão de calor para os tecidos vizinhos e melhorar o conforto durante o tratamento.
O que significa “Multispot”?
O termo Multispot quer dizer que o aparelho consegue aplicar vários disparos de laser em sequência, organizados em desenhos ou padrões previamente escolhidos pelo médico. Isso é especialmente útil em doenças que exigem tratamento de áreas maiores da retina, como a retinopatia diabética.
Na prática, essa tecnologia oferece três grandes vantagens: mais agilidade, melhor padronização dos disparos e maior controle da área tratada. Isso não substitui a experiência médica, mas amplia a capacidade do oftalmologista de tratar com mais planejamento.
EndPoint Management: o laser em nível subvisível
Um dos diferenciais mais interessantes do PASCAL é o EndPoint Management, também conhecido como EpM. Essa tecnologia usa um algoritmo para controlar a potência e a duração do pulso do laser, permitindo tratamentos em níveis chamados “subthreshold” ou subvisíveis, nos quais o objetivo é estimular o tecido da retina com menor agressão visível.
Em alguns casos selecionados, isso pode ser útil para doenças da mácula, como edema macular diabético e coriorretinopatia serosa central crônica. Estudos clínicos têm investigado o uso do PASCAL com EndPoint Management nessas situações, mostrando potencial benefício anatômico e funcional, embora a indicação precise ser individualizada e nem todos os pacientes sejam candidatos.
Para quais situações esse laser pode ser utilizado?
O laser PASCAL pode ser considerado, conforme avaliação oftalmológica, em situações como:
- Retinopatia diabética;
- Edema macular diabético em casos selecionados;
- Rupturas ou degenerações periféricas da retina;
- Algumas doenças vasculares da retina;
- Coriorretinopatia serosa central crônica em casos específicos;
- Tratamentos retinianos que exigem maior precisão e planejamento.
A indicação depende de exames como mapeamento de retina, retinografia, OCT, angiofluoresceinografia e avaliação detalhada da mácula e da periferia retiniana.
Tecnologia avançada não substitui avaliação qualificada
O laser é uma ferramenta. Quem define a melhor estratégia é o médico, com base no diagnóstico, na fase da doença, nos exames de imagem e nas condições gerais do paciente. Em alguns casos, o laser é o tratamento principal. Em outros, pode ser associado a medicamentos intraoculares, acompanhamento clínico ou cirurgia.
Por isso, a principal vantagem não está apenas no equipamento, mas na combinação entre tecnologia moderna, diagnóstico preciso e decisão médica individualizada.
Cuidar da retina é proteger a visão
Muitas doenças da retina podem evoluir de forma silenciosa. Pacientes com diabetes, hipertensão, histórico de descolamento de retina, moscas volantes recentes, flashes luminosos ou perda visual devem procurar avaliação especializada.
O laser Topcon Multispot PASCAL, com a possibilidade do EndPoint Management, amplia as opções de tratamento com mais controle, rapidez e personalização. Quando bem indicado, pode ser uma ferramenta importante para preservar a visão e reduzir riscos de progressão da doença.
Autor:
Dr. Javier Alejo Montero
CRM-CE 9267 | RQE 3180
Médico Oftalmologista – Mestre em Oftalmologia
Diretor Clínico do Núcleo de Oftalmologia

